segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Tiririca - O Filio do Braziu

Esqueça as mega produções cinematográficas brasileiras, que nem são tão mega assim. Esqueça Tropa de Elite, Chico, Nosso Lar. Esqueça também Lula - o filho do Brasil, que vai representar o nosso país na disputa por uma vaga ao Oscar do próximo ano.

Digna de prêmio é a produção abaixo: Tiririca - o filio do Braziu.

Ainda bem que o filho do Tiririca sabe ler

Política é coisa séria, meus amigos. Nos bastidores de reportagem feita pela revista Época, jornalistas pedem para Tiririca ler e responder algumas perguntas, e...?? E quem lê em voz alta pro abestado é o seu filho. Parece que a lona do circo vai car. Parece...

Orgia política

O título, que pode até ser meio ambíguo, se refere a propaganda do candidato a Câmara Federal por São Paulo, Jefersson Camillo. A ideia não ajudou muito nas eleições, já que ele não conseguiu a sonhada cadeirinha lá em Brasília.

Confira aí tamanha criatividade (ou escassez dela) :

Celebridades e cia.

Mais uma leva de pérolas. Agora temos celebridades - Maguila, Mulher Pêra e até Ronaldo Ésper - e outras figuras do Brasil afora.
Tem até dois discípulos do Éneas. Para nossa sorte (ou azar) só o Tiririca se elegeu. Vale a pena conferir essa comédia.

Pérolas Catarinenses

Pra quem achava que só as regiões sudeste e nordeste proporcionam ao eleitor propagandas para lá de exóticas, mero engano. Vejam abaixo duas pérolas políticas daqui de Santa Catarina:

Esse aqui é um trechinho do vídeo do candidato a deputado federal Antônio Luis, com uma paródia do clássico I Want to Break Free, do Queen . Mas a criatividade não ajudou nas urnas. Ficou de fora.



Esse vídeo é "doido". Não existe outro adjetivo. Pegamos do canal TV 130, do candidato ao senado Vignatti, que também não se elegeu.

O picadeiro da democracia

O circo está armado. E quem o armou fomos nós. Dentro de dois meses, nossos representantes sairão de seus ranchos eleitoreiros e terão de se mandar para as capitais brasileiras. E não adianta fazer beicinho. Seremos influenciados, sim, pelas decisões dos saltimbancos tanto das assembleias quanto do Congresso.

E quem está incluído na trupe federal é o deputado mais votado do Brasil, o palhaço Tiririca com mais de 1,3 milhões de votos – como se toda a população de Florianópolis fosse três vezes às urnas e votasse do “abestado”. Dizem que nem ler ele sabe, uma reportagem da revista Época garante e com razão. Caso seja provado o analfabetismo, o humorista será obrigado a passar sua cadeira ao suplente. É esperar para ver e crer.

Enquanto isso, veja trechos da tal reportagem.

Mas vamos à voz do povo, a voz de Deus. “Acho que ele (Tiririca) merece uma chance, pois já tivemos presidentes doutores no poder que não fizeram o que o Lula fez. Sou a favor dele sim”, defende a internauta Ana Ravagnani, assistir a tal reportagem. Já Fabiano Amaral crê que o palhaço seja mais um aproveitador. “Vocês por acaso acham que o Tiririca entrou na política por ser ele interessado em política, em democracia, em direitos do cidadão? Ele é mais um analfabeto que aproveitou a oportunidade de escarnecer e rir da miséria de quem chora”, esbraveja.
Quem completa o picadeiro das celebridades/humorísticas do Congresso são os ex-jogadores Danrlei (4º no RS) e o baixinho Romário (6º no RJ), este que podemos ficar mais tranquilos quanto sua alfabetização, já que tem curso superior.

Na Santa e Bela Catarina, nenhuma das figuras que vimos aqui no Política Bizzarra, conseguiu se eleger. Na opinião do jornalista Marcos Castiel, responsável pelo blog Palanque do ClicRBS,
“Acho correto dizer que o nível de consciência política de uma população, e, neste caso, a região sul se sobressai, possibilita com que haja uma proteção natural contra a eleição de candidatos visivelmente desqualificados”, argumenta o Marcos Castiel, jornalista responsável pelo blog Palanque, do ClicRBS, que também dá voz aos bizarros.

Votar para protestar
O protesto, assim como o voto, é uma forma de expressão e de cidadania. A fusão dos dois seria um dos motivos para a eleição desses candidatos não convencionais. Para a socióloga Adriane Nopes, especialista em ciências políticas, o voto protesto demonstra a descrença do cidadão com a política brasileira. “Acredito que a eleição destas figuras públicas ‘não políticas’, demonstra o quanto o povo brasileiro não acredita mais na força política e no aparato do Estado para resolver as coisas públicas no que se refere aos direitos dos cidadãos em prol do bem-estar social. E, poderíamos dizer que, para grande parte do eleitorado brasileiro, a descrença na política está estampada, e para ela tanto faz quem ocupa os cargos políticos do país, nada mudará”, analisa.

Protestar é de extrema valia para uma democracia. Mas calma aí gente, existem maneiras mais seguras de meter a boca no trombone. Quem pensa desse jeito é o bacharel em Direito, Gabriel Ferri, que nesse ano justificou o voto por não estar em sua zona eleitoral. “Os eleitores votam e nem sequer lembram em que votaram. Deveriam analisar os candidatos e sua ficha política, para depois não reclamarem”, afirma.

E agora?
Encontrar a solução ainda foi possível e ainda não sabemos quanto tempo vamos levar para encontrá-la. Castiel crê que a raiz do problema seja a própria legislação eleitoral.
“O problema não está no fato de o sujeito eleitor ser A, B ou C. A questão é que não há a compreensão da diferença entre um cargo executivo e um legislativo. Legislar é uma prerrogativa que requer preparo não só intelectual, mas formação política adequada e conhecimento de legislação. Por este motivo, não acho que seja um problema só de ‘ignorância’ do povo, mas, também, e principalmente, uma legislação mal compreendida e inadequada para os padrões brasileiros”, explica.

Então, de olho neles. É devagarzinho que o circo anda. Foram precisas duas décadas para criar a Lei da Ficha Limpa, algo imprescindível para representar o cidadão. Talvez leve mais que isso para o eleitor tomar consciência da real importância do voto, do voto consciente.