O circo está armado. E quem o armou fomos nós. Dentro de dois meses, nossos representantes sairão de seus ranchos eleitoreiros e terão de se mandar para as capitais brasileiras. E não adianta fazer beicinho. Seremos influenciados, sim, pelas decisões dos saltimbancos tanto das assembleias quanto do Congresso.
E quem está incluído na trupe federal é o deputado mais votado do Brasil, o palhaço Tiririca com mais de 1,3 milhões de votos – como se toda a população de Florianópolis fosse três vezes às urnas e votasse do “abestado”. Dizem que nem ler ele sabe, uma reportagem da revista Época garante e com razão. Caso seja provado o analfabetismo, o humorista será obrigado a passar sua cadeira ao suplente. É esperar para ver e crer.
Enquanto isso, veja trechos da tal reportagem.
Mas vamos à voz do povo, a voz de Deus. “Acho que ele (Tiririca) merece uma chance, pois já tivemos presidentes doutores no poder que não fizeram o que o Lula fez. Sou a favor dele sim”, defende a internauta Ana Ravagnani, assistir a tal reportagem. Já Fabiano Amaral crê que o palhaço seja mais um aproveitador. “Vocês por acaso acham que o Tiririca entrou na política por ser ele interessado em política, em democracia, em direitos do cidadão? Ele é mais um analfabeto que aproveitou a oportunidade de escarnecer e rir da miséria de quem chora”, esbraveja.
Quem completa o picadeiro das celebridades/humorísticas do Congresso são os ex-jogadores Danrlei (4º no RS) e o baixinho Romário (6º no RJ), este que podemos ficar mais tranquilos quanto sua alfabetização, já que tem curso superior.
Na Santa e Bela Catarina, nenhuma das figuras que vimos aqui no Política Bizzarra, conseguiu se eleger. Na opinião do jornalista Marcos Castiel, responsável pelo blog Palanque do ClicRBS,
“Acho correto dizer que o nível de consciência política de uma população, e, neste caso, a região sul se sobressai, possibilita com que haja uma proteção natural contra a eleição de candidatos visivelmente desqualificados”, argumenta o Marcos Castiel, jornalista responsável pelo blog Palanque, do ClicRBS, que também dá voz aos bizarros.
Votar para protestar
O protesto, assim como o voto, é uma forma de expressão e de cidadania. A fusão dos dois seria um dos motivos para a eleição desses candidatos não convencionais. Para a socióloga Adriane Nopes, especialista em ciências políticas, o voto protesto demonstra a descrença do cidadão com a política brasileira. “Acredito que a eleição destas figuras públicas ‘não políticas’, demonstra o quanto o povo brasileiro não acredita mais na força política e no aparato do Estado para resolver as coisas públicas no que se refere aos direitos dos cidadãos em prol do bem-estar social. E, poderíamos dizer que, para grande parte do eleitorado brasileiro, a descrença na política está estampada, e para ela tanto faz quem ocupa os cargos políticos do país, nada mudará”, analisa.
Protestar é de extrema valia para uma democracia. Mas calma aí gente, existem maneiras mais seguras de meter a boca no trombone. Quem pensa desse jeito é o bacharel em Direito, Gabriel Ferri, que nesse ano justificou o voto por não estar em sua zona eleitoral. “Os eleitores votam e nem sequer lembram em que votaram. Deveriam analisar os candidatos e sua ficha política, para depois não reclamarem”, afirma.
E agora?
Encontrar a solução ainda foi possível e ainda não sabemos quanto tempo vamos levar para encontrá-la. Castiel crê que a raiz do problema seja a própria legislação eleitoral.
“O problema não está no fato de o sujeito eleitor ser A, B ou C. A questão é que não há a compreensão da diferença entre um cargo executivo e um legislativo. Legislar é uma prerrogativa que requer preparo não só intelectual, mas formação política adequada e conhecimento de legislação. Por este motivo, não acho que seja um problema só de ‘ignorância’ do povo, mas, também, e principalmente, uma legislação mal compreendida e inadequada para os padrões brasileiros”, explica.
Então, de olho neles. É devagarzinho que o circo anda. Foram precisas duas décadas para criar a Lei da Ficha Limpa, algo imprescindível para representar o cidadão. Talvez leve mais que isso para o eleitor tomar consciência da real importância do voto, do voto consciente.
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